Crise da dívida - Jornal i

31-05-2011 22:32

 

Dívida pública. Seguros e fundos de pensões compram mais 1360 milhões

por Ana Suspiro, Publicado em 30 de Maio de 2011   
 
O investimento no primeiro trimestre subiu 13% nos seguros e disparou 47% nos fundos de pensões
 
As seguradoras e fundos de pensões nacionais continuaram a reforçar o investimento em dívida pública nacional. Nos primeiros três meses do ano, os dois sectores compraram 1360 milhões em Obrigações de Tesouro enquanto desinvestiram na dívida de outros países, mostram os dados trimestrais do Instituto de Seguros de Portugal (ISP).

O regulador sublinha, no seu relatório, "as estratégias de incremento da exposição" de seguradoras e fundos de pensões à dívida pública portuguesa apesar de realçar também a queda do valor de mercado destes títulos.

Só o sector segurador aplicou mais 780 milhões de euros em Obrigações do Tesouro português. Este montante representa um crescimento de 13% face a Dezembro do ano passado. Para além de sublinhar "uma estratégia de incremento de exposição a este tipo de investimento", o ISP nota a desvalorização dos valores de mercado destes títulos que nos primeiros três meses foi de 8%.

O sector segurador nacional tem forte ligação accionista aos bancos a operar em Portugal. A banca, que em Março tinha em carteira quase 20 mil milhões de dívida soberana nacional, tem sido apontada como a principal compradora da dívida. Ideia reforçada depois de os investidores estrangeiros terem reduzido substancialmente a procura por títulos nacionais, em reacção ao agravamento da crise da dívida soberana de Portugal

Em Março, as seguradoras detinham sete mil milhões de euros em OT, o que correspondia a cerca de 13% dos activos em carteira.

O crescimento do investimento em dívida pública é mais expressivo em termos relativos nos fundos de pensões. No primeiro trimestre, as aplicações em OT dispararam 47% face ao final de 2010. O valor investido ascendeu a 580 milhões de euros. A carteira dos fundos de pensões detinha no final de Março 1820 milhões de euros em Obrigações, o que representa cerca de 9% do valor total gerido. Também aqui o ISP refere que o valor de mercado dos títulos caiu 3%.

Será a maior rentabilidade destas aplicações que atrai os investidores nacionais. À medida que o Estado português sentia crescentes dificuldades no mercado, foi obrigado a oferecer juros mais altos aos compradores de títulos. Os dados do ISP referem apenas compra de Obrigações de Tesouro, ou seja, dívida de longo prazo do Estado. No primeiro trimestre, antes da demissão do governo, Portugal conseguiu realizar três leilões de OT, com as taxas de juro a variar entre os 5,4% e os 6,7%.

Desde Abril - com excepção de uma operação no dia 1 desse mês - que o Estado têm recorrido apenas à emissão de dívida de curto prazo (bilhetes do Tesouro), cujo compradores têm sido essencialmente nacionais. Estas operações oferecem taxas muito elevadas e um risco residual, já que se vencem a poucos meses. Até o Fundo de Pensões da Segurança Social comprou bilhetes do Tesouro após o pedido de ajuda externa, como revelou o Ministério da Segurança Social.

O apetite dos investidores pelas rentabilidades da dívida pública portuguesa é ainda visível nos fundos de investimento de Abril. Neste mês, o investimento subiu 9,1% face a Março, tendo ascendido a 413,5 milhões de euros. Portugal foi o principal destino das aplicações nacionais em dívida soberana, ultrapassando a Alemanha.